Arquivo mensal: outubro 2010

Porque não voto no PSDB

“Sou Dilma desde pequenininha!” – esse agora é meu lema até dia 31 de outubro.

Não sou muito ligada a política, leio muito pouco o jornal, mas não precisa ser nenhum Ás da inteligência para saber que não dá pra votar no Serra. Não dá e ponto.

“O que você tem contra o Serra?”, pergunta meu pai. A resposta mais imbecil que posso dar, bem pragmática, sem entrar em detalhes, é aquela que vai incomodá-lo: tenho 4 pedágios para ir visitar minha irmã e meus sobrinhos no meio do meu caminho. É claro que o contra-argumento vai ser de que as estradas estão em bom estado, de que é preferível isso a enfrentar os buracos das estradas federais. Antes fossem só os pedágios os defeitos do PSDB.

E não é que eu idolatre o PT. Aliás, eu não gosto de nenhum partido. Não sei nem se acredito mais em partidos. Não sei nem se isso que a gente chama de democracia é realmente defensável. Mas não dá pra votar no PSDB.

E por que não? Engraçado que eu, à medida que os anos foram passando, fui tomando asco pelo PSDB talvez de uma forma diversa da de outros colegas. Pouco entendedora de política, mas com aquela pulga atrás da orelha dos antropólogos, fui observando o eleitorado do PSDB e construindo a imagem do partido através dele.

Eu diria que 90% das pessoas que conheço que votam no PSDB tem o seguinte perfil:

– são a favor da pena de morte;

– admiram o Capitão Nascimento do Tropa de Elite;

– continuam afirmando que o Lula é analfabeto mesmo depois de 8 anos de governo;

– acreditam que só não ganha dinheiro quem é vagabundo;

– afirmam que favelado que não quer sair do barraco é porque gosta de ser pobre (quando o assunto é remoção de comunidades pra construção de condomínios de luxo);

– acreditam que é preciso se trancar num condomínio de luxo, cheio de câmeras de segurança, entre seus pares, para se safar da violência urbana;

– reclamam do atendimento num restaurante e não pagam os 10% porque acham que foram mal atendidos, sem pensar que talvez aqueles 10% sejam a única fonte de salário do garçom ou da garçonete.

– compram carros blindados;

– acham que jogar latinha de refrigerante na rua é bom porque existem “os pobres” que vivem de catá-las;

– afirmam que o bolsa-família é bolsa-esmola sem pensar que 20 reais a mais no orçamento de uma família não são os 20 reais que eles gastam num pedaço de bolo em algum café de São Paulo;

– saem às ruas para protestar contra a morte de alguma criança rica, assassinada em algum assalto ou sequestro, mas acham bem-feito quando a polícia mata deliberadamente suspeitos de terem cometido algum crime (atentem-se ao grifo);

– etc.

Poderia listar outras dezenas de coisas, mas por aí já dá pra ter uma ideia de quem é, no geral, o eleitorado do PSDB a quem tenho acesso. E foi a partir dessas pessoas que fui construindo a imagem que tenho do PSDB. Pois se elas gostam de José Serra e Geraldo Alckmin, e se elas se posicionam no mundo dessa maneira, então isso eu não quero pra mim. Se elas acreditam que esses 2 candidatos são aqueles que vão lhe trazer mais benefícios, então esses eu não quero pro meu estado e nem pro meu país.

Devo dizer, no entanto, que não me iludo quanto ao PT. PT não é de esquerda há muito tempo. PT não defende o que eu acredito há muito tempo. Mas não posso deixar meu país cair nas mãos de quem acredita em política de segurança pública nos moldes do que temos visto em São Paulo nos últimos 16 anos. Não posso deixar meu país nas mãos de quem quer privatizar o ensino público superior. De quem não dá aumento aos professores do rede pública estadual há pelo menos 10 anos. De quem quer deixar o país à mercê do Mercado, ó nosso senhor.

Será que estamos indo tão mal mesmo a ponto de querermos mudar? O que é que está tão mal assim? Será que o país piorou mesmo ou será que a classe média e média-alta tá com o cu na mão porque a empregada que não sabe ler “de repente” tem um filho na faculdade?

Volto a dizer: “Sou Dilma desde pequenininha” e voto 13 dia 31 de outubro!

 

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