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Ricky Martin e Chico Buarque sim, e daí?

Na última sexta-feira tive o prazer de estar presente no show do gatíssimo Ricky Martin (dispensa apresentações, né?), e ao divulgar isso no facebook, minha querida irmã pareceu inconformada por eu ter perdido meu tempo num evento como esse. Vindo dela (né, irmãzinha?), não me surpreende. Fomos criadas ouvindo boa música (seja lá o que isso for, claro), e como não somos ricas e não temos todo o tempo do mundo, por que não selecionar melhor o que a gente vai ver?

Eu super entendo a posição da minha irmã. E até concordo com ela. Afinal, existem tantas coisas legais acontecendo por aí (apesar da gente ser meio mal informado!), então como assim eu vou “sacudir até São Paulo” (pra usar a expressão dela) pra ver justo o Ricky Martin? Ele é lindo, mas a música é ruim e ainda por cima é gay! (não num sentido homofóbico, claro, mas num sentido de que, nem que fosse possível invadir o camarote dele e agarrá-lo, não ia adiantar, porque ele é gayzaço, assumidaço! rs rs).

E daí eu fiquei pensando cá com meus botões: por que cargas d’água eu tenho que ver só o que eu considero excelente? Por que a gente (e “a gente” aqui é igual a “pseudointelectuais meio de esquerda”) não pode se dar o prazer de assistir a uma comédia romântica (tipo “O Amor não tira férias”, que eu simplesmente amooo!rs rs ) ou a um show de alguém com musicalidade duvidosa (apesar de eu adoooorar “María”…hahah) sem se  sentir um completo idiota?

Desde a adolescência eu sempre adotei uma posição de “eu sou superior a vocês, que gostam de sertanejo”,   dizendo que gostava de forró quando ninguém gostava (e abandonando o gosto quando virou moda), que ouvia Chico Buarque porque era um grande poeta (que ninguém mais além de mim entendia, claro), e que meu cantor favorito era Lenine (e ainda é, acho) e que o sujeito que dizia que gostava dele por causa de “Paciência” era um ignorante.

Permaneci nessa posição até 2007, 2008 mais ou menos. Em 2007, quando fui pro Canadá, me permiti ouvir músicas diferentes, já que eu estava fora do Brasil e Chico Buarque não toca nas rádios de Montréal. Naturalmente, eu ainda resistia bastante, afinal “a música brasileira é a melhor do mundo”. Mas foi quando entrei pra Livraria Cultura e conheci pessoas incríveis que não ouviam só música brasileira (aliás, o que eu conhecia de música brasileira, que obviamente é muito menos do que a realidade), é que deixei meus ouvidos se abrirem e conhecer um mundo muito, mas muito maior do que Chico e Lenine.

Vejam, não estou dizendo que meus amigos culturetes curtem o Ricky Martin (aliás, se algum deles ler isso daqui, pode ter um chilique se entender assim!hahaha), mas sim que, ao mesmo tempo em que fui deixando novas coisas de altíssima qualidade entrar no meu mundo musical, também fui perdendo a vergonha de admitir que sim, eu gosto de verdade de Ricky Martin, Backstreet Boys e tudo o que tiver de tão pop quanto eles por aí. #prontofalei

E assim como eu gosto de música classificada como “ruim” (e eu não quero entrar no mérito do que é bom ou não, porque é tãããão relativo…), eu também leio feliz (descoberta bem recente, aliás…) Sophie Kinsella e Mariam Keyes. Qual o problema?? Desde que eu  não perca o senso crítico e não deixe de ler e escutar coisas que eu considero realmente de alta qualidade, não vejo  problema nenhum em consumir essas coisas.

E neguinho que fica com frescura com o pop e que só anda com o Dostoiévski debaixo do braço que me desculpe,  mas não é completamente feliz! Liberte-se, amiguinho! Dar risada e falar um pouco de bobagem de vez em quando faz  bem! 😉