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Relógio biológico? Aham, Cláudia, senta lá.

relogiobiologico

“Ah…eu já tenho um príncipe e uma princesa loirinhos…queria tanto um chocolatinho…”

“Ah…mas 40 anos é muito velha pra ser mãe…”

“Ah…queria tanto um sobrinho! Deve ser tão gostoso ser tia…”

Eu queria ver se eu aparecesse grávida e sem dinheiro se todo mundo ia achar tão lindo assim.

E os tempos em que se dizia que era importante namorar bastante, noivar e casar, pra depois pensar em ter filhos? Passou?

Não que eu seja a favor da manutenção do modelo de família tradicional. Quem quer ser pai e mãe aos 8 meses de namoro, beleza. Mãe solteira, que seja. Pai solteiro, pai e pai, mãe e mãe, whatever. Cada um com suas escolhas. A minha: terminar meu mestrado, fazer meu doutorado com sanduíche na França, terminá-lo e prestar um concurso público.

Até lá, crianças não estão nos meus planos. Simples assim.

E se eu resolver que elas podem fazer parte de tudo isso, essa será MINHA escolha e de mais ninguém.

Estamos entendidos?

Imagem daqui.

Menino não usa vestido?

Pesquisas à parte e esquecendo o olhar que minha pesquisa dá a certos aspectos de blogs maternos, não consegui deixar de compartilhar esse post por aqui.
Não tenho filhos. Nem sei se terei. Mas tenho 2 sobrinhos, um menino e uma menina, e quando li esse post não consegui não me identificar de algum modo.
Não sei se essa é uma preocupação da minha irmã e do meu cunhado. Creio que seja, mas talvez não de maneira tão acirrada quanto a minha. Exemplifico: se Catarina quer brincar com meus colares e Miguel também, eu incentivo (bem, agora nem mais tanto, dada a destruição do colar que minha amiga Karina me deu…rs). Se Catarina quer brincar de passar batom e Miguel também, eu não me importo de deixar. Magaly, minha irmã, não gosta tanto, afinal, batom não é coisa de criança – nem de Catarina, nem de Miguel. Neste caso, ela não tá dizendo “menino não pode”. Ela tá dizendo “criança não pode” (isso pode ter mil outras implicações, que deixo de fora aqui). Se Miguel quer usar a saia de balé da irmã na festa de aniversário do pai (como o fez esse ano), ai de quem olhar pra ele e dizer que, oh, tadinho, vai ser gay! E o contrário tbm vale: se a Cata quiser jogar futebol, serei a primeira a pegar a bola e jogar com ela (tão bem ou bem pior do que ela…rs). Se a Cata quiser brincar de pintar um bigode na cara (nunca vi acontecer, mas poderia), eu pintaria feliz!
Enfim, assim como a Nanda lá do blog, eu tbm me irrito muito com essas divisões de papéis de gênero: judô pra menino, dança pra menina. Ora bolas! As atividades são pra todos, não?
É por isso que adoro quando o Café brinca com a Cata e diz que quer pegar o vestido dela pra ele. Dá pano pra manga quando ela diz que “menino não usa vestido”. Ah, usa sim! Um dia ainda faço uma atividade lúdica com ela e saio mostrando fotos de homens vestidos com roupas convencionalmente de mulheres. laerteAdoro fazer um fuzuê na cabecinha dela. E quando Miguel estiver na idade, também farei. Porque, com o andar da carruagem, logo mais ele dirá que “lutar de espada” é coisa de menino.
Enfim, esse será meu papel de tia. E se um dia eu for mãe, farei questão de ensinar “m-(e)-inh-(u)-a filhx” que saias também são pra meninos e que menina também joga futebol.

carro X transporte público

(Peço perdão pelos palavrões que lerão a seguir.)

Lula, você é um cara legal. Sério mesmo, eu gosto de você. Votei 2 vezes em você, mesmo discordando de muita coisa que fez, mesmo sabendo que você sabia do mensalão, mesmo sabendo que sua política desenvolvimentista tinha muitos problemas.

Mas puta que pariu, cara! Por que é que você foi reduzir aquela merda de IPI ao invés de investir dinheiro no fuckin’ transporte público?!?!?! Metrô, ônibus, trem, pelamor!! Mas em nome da ascensão das classes mais baixas, você deu crédito pra galera comprar carro e agora as cidades viraram um caos (coisa que já eram antes)!

Antes que alguém me chame de classista e diga “ah, você tem carro, por que os outros não podem ter?”, eu não estou dizendo que as pessoas não possam ter carro, que “o povão saiu comprando carro, olha aí no que deu”. Não. As pessoas podem ter carro. Claro que podem. Num mundo em que não haja 7 bilhões de habitantes, em que monóxido de carbono não polua e em que as estradas e ruas tenham 5x mais capacidade de suportar a quantidade de carro que está aí.

De que adianta dar crédito pra comprar carro se logo mais as pessoas não vão mais conseguir se locomover nas cidades porque tá tudo entupido?? Exemplifico: 5 anos atrás, quando eu saía da minha casa no Jd. Nova Europa e ia pra Barão Geraldo às 18h, dificilmente eu levava mais do que 45 minutos pra chegar lá. Isso já era muito, dado que em condições normais eu levo uns 20 a 25 minutos. Pois bem, ontem eu levei 1h20 (!!!!!!!) pra chegar em Barão. Ok, chovia. Ok, o semáforo do fim do tapetão tava apagado e não tinha nenhum agente de trânsito pra controlar a zona. Mas olhasse pra dentro dos carros e visse que em cada um deles havia somente o motorista e mais ninguém (como eu, inclusive) pra entender do que eu tô falando. Alguém me diga: isso é sustentável??

E quanto à primeira pergunta que fiz acima, é claro que eu sei a resposta. Afinal, botar na mão da população a responsabilidade total por suas necessidades básicas é política de praxe de qualquer governo, seja do PT ou de qualquer outro partido. Uma lástima.

Ps: Se alguém ainda estiver pensando que sou classista e não quero que o “povão” tenha carro, digo para parar para pensar em lugares onde o transporte público funciona e onde pessoas com o mesmo poder aquisitivo que eu preferem se locomover de metrô ou ônibus. Se funcionasse, venderia meu carro sem pestanejar. Talvez nunca tivesse comprado um. Odeio dirigir e acho que as pessoas jorram todo o seu desrespeito ao ser humano quando estão dentro de suas máquinas potentes. Mas em tempos em que se leva mais de 1h em trajetos que antes se fazia em 30 minutos, imaginem pegar o ônibus em Campinas, pagar 3 absurdos reais por ele, e levar o triplo do tempo? E daí o círculo vicioso está posto. Enquanto ninguém quebrar esse ciclo investindo dinheiro de peso em transporte público, chuchus, estaremos fadados ao caos.

Não é liberdade de expressão, nem argumento. É despeito.

Tão logo a notícia do câncer de Lula veio à tona, as manifestações em relação à sua doença começaram a pipocar pela Internet. Não sou muito assídua no twitter, não sei o que tá rolando por lá, mas infelizmente, no meu feed do facebook, logo vi piadinhas grotescas sobre o Lula e o “pedido” a ele para usar o Sistema Único de Saúde, o SUS.

Na mesma hora bloqueei quem se (in)dignou a postar tamanha estapafúrdia. Recuso-me a ler qualquer outra coisa que alguém que faz piada com a desgraça alheia tem a dizer. Esta não merece o meu tempo, nem o meu respeito.

Felizmente, a maioria das pessoas que sigo no facebook é gente bacana, de boas opiniões, de bom senso. As manifestações contra a esse tipo de piada foram várias, e isso me deixou mais aliviada. Aliviada por saber que ao meu redor estão pessoas com quem consigo conversar, que não são toscas, que respeitam o próximo.

Mas ao mesmo tempo, estou bastante triste e revoltada com esse tipo de situação. A gente tá vivendo uma onda pela “liberdade de expressão” em que os limites, muito tênues, entre falta de respeito e liberdade de dizer o que se pensa, estão sendo o tempo todo ultrapassados. Vide recentes casos de Rafinha Bastos, Danilo Gentilli e toda a trupe do CQC.

Outro dia, conversando com a minha orientadora, falávamos sobre essa onda de piadas de mau gosto. E ela disse uma coisa muito certa: a piada desrespeitosa aparece quando a pessoa não tem mais argumentos para defender seu ponto de vista. Ela não sabe dizer por que não gosta de uma coisa ou de alguém, e parte para a baixaria. E o caso do câncer de Lula é o exemplo mais evidente disso.

Mandar o Lula se tratar pelo SUS não só é uma tremenda ignorância em relação ao que é esse sistema de saúde respeitado no mundo inteiro (e com isso eu não digo que não haja muitos problemas), como é uma manifestação classista enojante. As mesmas pessoas que mandam o Lula se tratar pelo SUS não conhecem um hospital público de perto e vangloriam os Estados Unidos como o país modelo a ser seguido. Só não sabem, é claro, que o sistema de saúde americano é talvez o mais desumano do mundo, em que um paciente que não paga o seguro saúde simplesmente não é atendido em nenhum hospital, e ponto final. Talvez se realizassem o sonho da emigração, entendessem na pele o que é ser pobre num país que caga e anda pra sua saúde, como os EUA.

A piada com o câncer de Lula é, portanto, somente mais uma manifestação de despeito. Lula é de origem pobre. Lula é nordestino. Lula é “analfabeto”. Lula não tem curso superior. Lula não fala inglês. Mas Lula governou o Brasil por 8 anos e deu à classe C acesso a coisas que só a classe B e A possuíam. A classe C comprou carro. A classe C comprou casa. Lula acendeu nessa classe média-alta emergente (especialmente a paulista) um medo (à la Regina Duarte) do contato com gente pobre. Como assim um homem do povo se torna presidente e dá a outras pessoas do povo as mesmas oportunidades que um “cidadão de bem” (e medo tenho eu dessa gente), que paga seus impostos e que come queijo brie no final de semana? Como assim o celular da minha empregada é melhor do que o meu? Como assim o pedreiro que de vez em quando me presta serviço trocou de carro e eu ainda não?

Talvez essas pessoas não digam tudo isso abertamente, talvez elas nem tenham tanta consciência disso. Mas toda vez que eu pergunto “Por que você não gosta do Lula?”, só o que eu escuto é: “Ah, ele é analfabeto”, “Ele não sabe nem falar inglês”, “Ele não fala direito”, “Ah, sei lá, não gosto e ponto.” Isso não é argumento, isso é despeito. Fale sobre uma política pública da qual você discorda (e mesmo quando falam, é sempre sobre o Bolsa Família, que criou um monte de vagabundos que não querem trabalhar…” – mais uma vez, não é argumento), fale sobre uma medida tomada que prejudicou o país, fale sobre a aprovação da construção da usina de Belo Monte, sobre o incentivo à soja na Amazônia, sobre o aumento da dívida interna, sobre a condescendência à corrupção, fale sobre tudo isso, e daí podemos conversar. Mas não me diga que ele é analfabeto. Analfabeto é o Tiririca. E você, paulista, que sempre elege o José Serra e o Geraldo Alckmin, você que elegeu o Tiririca, diga-me onde está a contradição.

Porque não voto no PSDB

“Sou Dilma desde pequenininha!” – esse agora é meu lema até dia 31 de outubro.

Não sou muito ligada a política, leio muito pouco o jornal, mas não precisa ser nenhum Ás da inteligência para saber que não dá pra votar no Serra. Não dá e ponto.

“O que você tem contra o Serra?”, pergunta meu pai. A resposta mais imbecil que posso dar, bem pragmática, sem entrar em detalhes, é aquela que vai incomodá-lo: tenho 4 pedágios para ir visitar minha irmã e meus sobrinhos no meio do meu caminho. É claro que o contra-argumento vai ser de que as estradas estão em bom estado, de que é preferível isso a enfrentar os buracos das estradas federais. Antes fossem só os pedágios os defeitos do PSDB.

E não é que eu idolatre o PT. Aliás, eu não gosto de nenhum partido. Não sei nem se acredito mais em partidos. Não sei nem se isso que a gente chama de democracia é realmente defensável. Mas não dá pra votar no PSDB.

E por que não? Engraçado que eu, à medida que os anos foram passando, fui tomando asco pelo PSDB talvez de uma forma diversa da de outros colegas. Pouco entendedora de política, mas com aquela pulga atrás da orelha dos antropólogos, fui observando o eleitorado do PSDB e construindo a imagem do partido através dele.

Eu diria que 90% das pessoas que conheço que votam no PSDB tem o seguinte perfil:

– são a favor da pena de morte;

– admiram o Capitão Nascimento do Tropa de Elite;

– continuam afirmando que o Lula é analfabeto mesmo depois de 8 anos de governo;

– acreditam que só não ganha dinheiro quem é vagabundo;

– afirmam que favelado que não quer sair do barraco é porque gosta de ser pobre (quando o assunto é remoção de comunidades pra construção de condomínios de luxo);

– acreditam que é preciso se trancar num condomínio de luxo, cheio de câmeras de segurança, entre seus pares, para se safar da violência urbana;

– reclamam do atendimento num restaurante e não pagam os 10% porque acham que foram mal atendidos, sem pensar que talvez aqueles 10% sejam a única fonte de salário do garçom ou da garçonete.

– compram carros blindados;

– acham que jogar latinha de refrigerante na rua é bom porque existem “os pobres” que vivem de catá-las;

– afirmam que o bolsa-família é bolsa-esmola sem pensar que 20 reais a mais no orçamento de uma família não são os 20 reais que eles gastam num pedaço de bolo em algum café de São Paulo;

– saem às ruas para protestar contra a morte de alguma criança rica, assassinada em algum assalto ou sequestro, mas acham bem-feito quando a polícia mata deliberadamente suspeitos de terem cometido algum crime (atentem-se ao grifo);

– etc.

Poderia listar outras dezenas de coisas, mas por aí já dá pra ter uma ideia de quem é, no geral, o eleitorado do PSDB a quem tenho acesso. E foi a partir dessas pessoas que fui construindo a imagem que tenho do PSDB. Pois se elas gostam de José Serra e Geraldo Alckmin, e se elas se posicionam no mundo dessa maneira, então isso eu não quero pra mim. Se elas acreditam que esses 2 candidatos são aqueles que vão lhe trazer mais benefícios, então esses eu não quero pro meu estado e nem pro meu país.

Devo dizer, no entanto, que não me iludo quanto ao PT. PT não é de esquerda há muito tempo. PT não defende o que eu acredito há muito tempo. Mas não posso deixar meu país cair nas mãos de quem acredita em política de segurança pública nos moldes do que temos visto em São Paulo nos últimos 16 anos. Não posso deixar meu país nas mãos de quem quer privatizar o ensino público superior. De quem não dá aumento aos professores do rede pública estadual há pelo menos 10 anos. De quem quer deixar o país à mercê do Mercado, ó nosso senhor.

Será que estamos indo tão mal mesmo a ponto de querermos mudar? O que é que está tão mal assim? Será que o país piorou mesmo ou será que a classe média e média-alta tá com o cu na mão porque a empregada que não sabe ler “de repente” tem um filho na faculdade?

Volto a dizer: “Sou Dilma desde pequenininha” e voto 13 dia 31 de outubro!