Arquivo mensal: setembro 2010

souvenir

La petite sieste vennait toujours avec le désir d’un bombon. Les petites boules colorées étaient faites pour les enfants, mais c’était lui qui les avait.

Dans la chambre froide et mal iluminée, lui, amable comme il n’y a pas d’autre, gardait les petites girouettes sucrées dans le pot en forme de grand-père. Grand-père souriant comme son seigneur, un amable sourire et des yeux timides qui m’ont donné le goût de mon enfance.

“Grand-papa!”, je criais, “je peux prendre des petits bombons dans votre chambre?”. Et la chemise rayée de blanc et marron, avec ses pas très lents, typiques d’une personne sage par les anées vécues, jamais refusait de me donner ce plaisir.

Il se levait de la chaise en petits tuyaux plastiques, chaussait ses sandales déchirées et par le couloir blanc il allait tranquille jusqu’à sa chambre, d’où il m’appelait et me disait: “Vas-y! Prends-en autant que tu veux”. Et je courais jusqu’à la table de nuit, où le bonheur m’attendait.

O sono depois do almoço vinha sempre com o desejo de uma bala. As bolinhas coloridas eram feitas para as crianças, mas era ele que as tinha.

No quarto frio e mal iluminado, ele, amável como poucos, guardava os pequenos cataventos açucarados no pote em forma de avô. Avô sorridente como seu dono, um sorriso amável e olhos tímidos que me deram o gosto da minha infância.

“Vovô!”, eu gritava, “posso pegar balinhas no seu quarto?”. E a camisa listrada de branco e marrom, com seus passos lentos, típicos de uma pessoa sábia pelos anos vividos, nunca se recusava em me dar esse prazer.

Ele se levantava da cadeira de canudinhos, calçava suas sandálias rasgadas, e pelo corredor branco ele ia tranquilo até seu quarto, de onde ele me chamava e me dizia: “Vai lá! Pegue o quanto quiser”. E então eu corria até o criado-mudo, onde a felicidade me esperava.

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pedras no caminho

Ultimamente tenho pensado nessa história de escolhas e decisões. Nunca fui muito da galera da “ação”, que acha que o sujeito está no controle de tudo, e também nunca achei que somos completas marionetes de uma chamada “estrutura”. Na verdade, eu continuo no meio do caminho, como tudo na vida. Eu sempre fico no meio do caminho. Sabe aquela pedra de Drummond? Pois é, parece que eu a encontro em todos os meus caminhos.

A questão é: será que essa pedra é colocada no meio dos meus caminhos, ou sou eu quem a coloco lá? É muito louco como eu sou capaz de começar uma coisa na vida e depois simplesmente desistir. Ou talvez eu não devesse chamar de “desistência”, mas de “unfinished business”. Um exemplo simples? Um cachecol que comecei a tecer há 2 anos e ainda não acabei. Ou os colares que fazia há uns 5 anos e ao que nunca mais dei continuidade.

No quesito “vida”, por assim dizer, é verdade que nem tudo ficou para terminar. Terminei a escola e a faculdade, por exemplo. Mas desde que voltei do Canadá, a sensação que eu tenho é que tudo o que eu começo eu simplesmente não consigo terminar (salvo o curso de licenciatura que, gosh, foi bem difícil terminar). Parece que todas as portas que se abrem pra mim eu insisto em fechar.

E então eu olho pra frente e tento ver novos horizontes, novos caminhos abertos – e eles até existem. Mas então começo a me perguntar: quando é que vou colocar – ou serão colocadas – novas pedras no meio dos meus caminhos? E a pergunta que mais me angustia: será que vale a pena continuar?

arte com areia

Outro dia, zapeando a tv, resolvi parar na TV5 e praticar meu francês. Bom, não vou me lembrar do nome do programa, mas era algo um pouco melhor que um America’s got talent. E lá vi a performance de uma artista chamada Ilana Yahave que, digamos, faz uma arte bastante efêmera, mas bastante bonita, ao desenhar na areia. Como funciona? Ela tem uma tela de vidro – que por debaixo possui luzes coloridas – onde ela joga areia e vai desenhando. Parece bem simples contando, mas é realmente impressionante. À parte a música brega ao fundo das performances, vale a pena conferir.

o motivo

Não tenho nenhum motivo nobre para escrever esse blog. Ou talvez não seja nobre para os outros. Na verdade, a ideia de manter esse espaço não é para que os outros tenham o prazer de ler. Ele será feito por mim e para mim. Será um espaço de desabafo, creio eu. Não tenho nada de interessante para contar, e nem pretendo mudar o mundo com minhas letras. O que quero aqui é somente falar, falar e falar. Será meu espaço de crítica, de pensamento, de “meu diário”, e ponto. Como diz o título, eu não sei escrever. E quando digo isso, não é que eu não saiba onde usar as vírgulas e os subjuntivos, mas não sei escrever para os outros. Não sei escrever algo que atraia a atenção de ninguém. Portanto, esteja a vontade para não colocar esse blog na sua lista de blogs preferidos. Não é essa a ideia.

Enfim, sem mais por agora. Não tenho (mais) nada a dizer.