medo, fobia, pavor


“O medo é uma linha que separa o mundo
O medo é uma casa aonde ninguém vai
O medo é como um laço que se aperta em nós
O medo é uma força que não me deixa andar”
(Lenine)

Quem nunca sentiu medo de nada que atire a primeira pedra. Todo mundo tem medo de alguma coisa.

Os medos variam em grau. A gente pode ter medo de falar com aquela(e) gatinha(o) simpática(o) que não para de olhar pra você, assim, só porque a gente é bem inseguro mesmo. Vai que ela(e) tá olhando pra pessoa atrás de vc! E o mico?

Também temos medo da bronca do chefe por aquele atraso vacilão, só pq na noite anterior rolou uma balada imperdível com os amigos.

Tem o medo de não passar no vestibular. O medo de comprar o ingresso pro show da Any Winehouse e ela não aparecer. O medo de ser assaltado, sequestrado, estuprado, assassinado. Medo da água, medo do fogo. E tem um medo clássico, que muita gente não admite, mas que existe sim, e que em algumas pessoas se transforma até em fobia: o medo da barata.

“Medo de barata?? Ah, Mariana, vc tá zoando, né? O bicho não faz nada!” Aham, é verdade. Não faz mesmo. Aliás, a coitada quando nos vê deve ficar muito mais apavorada, porque ela sabe muito bem que vai morrer logo, logo. Acontece, meus caros, que esse pequeno inseto asqueroso não me dá medo, me dá é pavor. Chega até mesmo a ser uma fobia.

Sabe quando você paralisa diante de alguma coisa? O medo é tão grande que você ou grita e sai correndo ou congela onde está e berra pela ajuda de alguma alma boa? Pois é. Meu coração dispara, começo a suar frio, e me dá vontade de chorar quando vejo uma barata. Tenho medo até dela morta.

Eu cheguei a matar algumas baratas, até mesmo a chinelada (a proximidade e a possibilidade de contato com esse bicho me apavora). Houve até uma vez em que, na noite de natal de 2008, uma barata apareceu no auge do meu estresse na preparação da ceia. Naquela história de que tem que estar tudo à mesa à meia-noite, e a comida que não fica pronta nunca, estava eu lá, fazendo o arroz, quando surge um desses bichos na porta do corredor. Minha falecida tia, que nunca teve medo de bichos, a não ser de ratos e cobras, mas que àquela altura da vida não tinha mais forças pra matar um inseto, viu a barata na porta e só disse, tranquilamente: “Gente, tem uma barata no corredor…” Ah, pra quê? “Aaai, eu não vou matar!”, grita uma de um lado (só tem mulher, praticamente, na minha família). “Eu é que não mato!”, grita a outra. “Ai, tô cuidando da minha filha!”, grita minha irmã. Meu cunhado, então, nem se moveu. Fingiu que não estava acontecendo nada. Gente, eu não sei o que deu em mim. Com toda aquela adrenalina no corpo por conta da ceia, só me lembro de berrar “Cadê a porra do chinelo? Me dá aqui!”, e lá fui eu esmagar a nojenta. Voltei, lavei as mãos e continuei a cozinhar. Memorável.

Eu achei até que tinha melhorado disso. Depois desse evento, matei várias baratas com inseticida (chinelos, só se for fora de mim mesmo). Acontece que, na semana passada, estava mostrando à minha tia onde guardar coisas no meu armário (estou numa empreitada para deixar meu quarto arrumado e ela está me ajudando) e me lembrei de que tinha separado uns papeis de presente que havia encontrado no domingo anterior para dar para ela, que gosta tanto de guardar essas coisas. Tinha os encontrado no armário e os deixei atrás da televisão, justamente para não me esquecer de entregar para ela. Quando peguei nos papeis, uma barata imensa surgiu de dentro deles! Gente, mas eu berrava tanto, eu chorava tanto, eu tremia tanto! Ai, pensar que ela podia ter encostado em mim, subido pelo meu braço!!! Aaargh!! O berro que eu dei assustou até a empregada, que logo correu pro meu quarto para ver se estava tudo bem. Ela não tem medo, ainda bem, e jogou veneno na asquerosa, que se enfiou num buraco entre a parede e o armário embutido e lá dentro (espero) morreu sufocada. Só que não acabou aí. Quando a empregada pegou os papeis pra jogar fora, tinha outra ali escondida!! Dá pra imaginar minha reação, né? Pois é. Pelo menos essa morreu esmagada e eu vi seu cadáver pra confirmar.

Resultado: toda vez que entro no meu quarto agora, meu coração dispara com medo de encontrar outra dessas ali. E daí que me pergunto: como pode um bicho desse tamanho exercer tamanho poder sobre um ser humano? Por que é que a gente tem que sentir tanto medo de um inseto? Porque eu não tenho só nojo, eu tenho pavor mesmo, e não me importo de admitir.

Como pode um sentimento desse invadir o corpo e a mente da gente? Psicanalistas de plantão, uni-vos e respondei a essa inquietação!

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